Hoje quero comentar sobre um assunto que me ocorreu ontem de manhã, quando eu estava fazendo feira. Pois é, um dos meus programas favoritos aos sábados de manhã é fazer feira. Frequento a mesma há mais de 30 anos, sou amiga dos feirantes de quem mais compro e é uma alegria para mim estar lá, entre frutas, verduras, doces, pastéis, café sendo torrado na hora, espalhando aquele delicioso cheirinho no ar. Meu avô já frequentava essa feira, depois meus pais e agora eu. Mesmo tendo morado 11 anos longe da minha cidade, quando voltei foi como se o tempo não tivesse passado. As mesmas pessoas, a mesma alegria, a mesma sensação de estar em casa.

Mas vamos ao que interessa. Eu estava na banca de verduras quando chegou um casal de meia idade, para escolherem umas batatas. Ver casais na feira é a coisa mais comum. Principalmente assistir aquela guerra silenciosa, em que a mulher pega algo para comprar e o marido tira, dando um jeito de conter o consumo. Mas esse casal era especial.

Não eram muito bonitos, nem chamavam a atenção pelas roupas ou qualquer outro item visual, mas transbordavam carinho um com o outro. Quando dei por mim eu estava observando encantada a demonstração do amor deles de forma tão simples e tão explícita. Aquela intimidade dos seres que não precisa ser dita, mas que a gente percebe em cada gesto, como quando ele chegou por trás dela e ela imediatamente jogou a cabeça para trás, já sabendo que ganharia um beijo no rosto.

Não me contive e os parabenizei, desejei que Deus continuasse abençoando a união dos dois. Ele agradeceu e deu outro beijo na cabeça dela. E ela (como sempre nós somos mais falantes) contou que uma amiga disse que quando vê um casal da idade deles de mãos dadas pensa logo que é namoro recente, depois de uma separação, e que eles gostam muito de manter esse carinho ao longo de vários anos de casamento. E ele acrescentou que é muito importante para o relacionamento. Eu concordei, disse que é preciso sim cuidar bem do amor.

E é sobre o amor que eu quero falar hoje. Começo com uma pergunta: porque depois de sentir que a pessoa amada está ‘conquistada’ a gente descuida tanto do amor?

No começo é tudo tão bom, muito carinho, palavras gentis, atenção quando se está próximo e também quando não, palavras elogiosas, sorrisos e beijos a cada momento. Mas com o passar do tempo há o descuido, já não se guarda o melhor sorriso e as palavras gentis para o ser amado, ao contrário, há a ausência de demonstrações de afeto, pela falsa ilusão de que “claro que ele(a) sabe que gosto dele(a), não preciso dizer/demonstrar!”. Há inclusive quem se deleite em falar tão mal dele(a) que chega a constranger o interlocutor.
Me pergunto se as pessoas não percebem que, ao falarem mal de quem está com elas, estão passando um atestado de burrice e/ou mau gosto, pois se a pessoa é tão ruim, porque continuar ao lado dela?

Há quem não sossegue enquanto não encontra uma razão para brigar, discutir, ficar de mal. É tão ruim ficar de mal! Mas há pessoas que dizem que é ótimo, para fazer as pazes depois. Eu não concordo com isso, sabe? Penso que a cada discussão sem razão, a cada briga, a cada troca de acusações vai começando a surgir pequenas rachaduras no sentimento. E uma hora, quando menos se espera, ao olhar para aquele que deveria ser uma das pessoas mais caras de nossa vida, nos deparamos com um estranho e a pergunta: o que eu estou fazendo ao lado dessa pessoa?

Na vida não há certezas, aliás, há. Como dizia Jean Paul Sartre, filósofo francês, é certo que um dia nós vamos nos separar. Pela vida ou pela morte, mas vamos. O problema não é a separação, que é inevitável, a questão principal é como queremos viver nosso amor até lá? Queremos ser duas pessoas coabitando no mesmo espaço ou dois eternos namorados, cuidando com o carinho de mãos jardineiras das flores do outro, como o casal que eu encontrei na feira? Queremos passar pelos dias ruins, nublados e problemáticos, sozinhos ou contando com o apoio de quem nos ama, mesmo que seja apenas na forma de um aperto de mão, uma massagem nos ombros, um sorriso que nos reafirma que, aconteça o que acontecer, estaremos ali a seu lado?

E isso não depende de sorte, mas de investimento. Investimento afetivo, investimento de tempo, investimento do que há de melhor em nós em busca do melhor do outro. E mesmo que você tenha deixado essa magia escapar, há como resgatar o encanto, se ambos estiverem interessados e empenhados nisso.

Eu gosto muito de indicar a pessoas que me procuram com problemas assim no relacionamento, um  vídeo curto, da série de Nelson Rodrigues, A vida como ela é,  que foi ao ar no Fantástico há muitos anos, chamado A divina comédia.

(Se quiser assistir, clique aqui!)

Por fim, eu quero dizer que vale muito a pena investir no amor, no carinho, na vivência cotidiana do afeto. E embora eu tenha falado mais em amor de casal, manter o carinho é importante para qualquer relacionamento, seja entre pais e filhos, irmãos, primos, avós e netos, amigos… Afeto nunca é demais! E tê-lo em nossa vida nos faz muito, muito mais felizes!

Eu gostaria muito de saber o que você achou desse texto, o que você pensa sobre o assunto, se você quer sugerir outro tema…

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